Aracaju/SE

Terapia Ocupacional

Trabalhamos o que a criança faz todo dia: vestir, comer, escrever, brincar, organizar a rotina.

Atividade de coordenação motora fina com pinça e pompons coloridos

A Terapia Ocupacional avalia situações como reagir de forma intensa a barulho, etiqueta de roupa ou hora do banho, continuar dependendo de você para se vestir e comer, ou cansar rápido ao desenhar e recortar. O trabalho parte das tarefas concretas do dia, em casa e na escola, para entender o que está impedindo a criança de realizá-las. Se é isso que você vem observando, a avaliação em Terapia Ocupacional é um bom ponto de partida, e o caminho dali é ampliar a autonomia possível para a criança, no ritmo dela.

O que é Terapia Ocupacional infantil

A palavra ocupação, aqui, não tem relação com emprego. Na Terapia Ocupacional, ocupação é tudo aquilo que ocupa o dia de uma pessoa, e o dia de uma criança é feito de brincar, vestir-se, comer, tomar banho, dormir, manusear lápis e tesoura, participar da aula e conviver com outras crianças. A terapeuta ocupacional observa essas atividades uma a uma e investiga por que alguma delas está difícil. O obstáculo pode estar no modo como o corpo processa as informações dos sentidos, na coordenação das mãos, na organização da sequência de passos ou no próprio ambiente em que a tarefa acontece.

Boa parte desse trabalho passa pelo processamento sensorial, que é a maneira como o cérebro recebe e organiza o que chega pelo tato, pela audição, pela visão, pelo paladar, pelo olfato, pelo movimento e pela posição do corpo no espaço. Algumas crianças registram esses estímulos de forma amplificada e se incomodam com costura de roupa, som alto, luz ou toque inesperado. Outras registram pouco e buscam movimento forte, apertos e impactos para sentir melhor o próprio corpo. Quando esse ajuste não está fino, atividades simples como cortar a unha, lavar o cabelo ou permanecer sentado na roda da escola viram episódios difíceis. A abordagem que cuida desse ajuste chama-se integração sensorial.

Na prática, a sessão costuma parecer brincadeira, e isso é proposital: brincando, a criança aceita experimentar movimento, textura, equilíbrio, força e planejamento. A diferença em relação a uma brincadeira comum está na intenção clínica por trás de cada material oferecido e de cada desafio proposto. Ao contrário da Fonoaudiologia, voltada à comunicação e à deglutição, que é o ato de engolir, a Terapia Ocupacional se organiza em torno do desempenho da criança nas atividades do dia. Quando a criança é acompanhada em mais de uma área da clínica, as condutas são combinadas no mesmo prontuário eletrônico para que não disputem espaço entre si.

Sinais de atenção

Quando procurar Terapia Ocupacional

As situações a seguir não fecham diagnóstico e não indicam, por si, nenhuma condição específica. São observações do dia a dia que justificam marcar uma avaliação, e somente a avaliação esclarece o que está acontecendo.

  • Chora ou foge no banho, na lavagem do cabelo, no corte de unha ou de cabelo.
  • Não tolera etiqueta, costura, meia, sapato ou tecido de certas roupas.
  • Continua dependendo do adulto para vestir-se, calçar, abotoar ou usar colher e garfo.
  • Evita lápis, tesoura e massinha, ou cansa e desiste rápido nessas atividades.
  • Tromba nas coisas, cai com frequência, aperta forte demais ou não mede a força.
  • Busca movimento sem parar: gira, pula, se joga no sofá, corre em círculos.
  • Brinca sempre da mesma forma e não amplia o repertório de brincadeira.
  • Desorganiza-se em festa, supermercado, sala cheia ou em mudança de rotina.

Esta lista não é um diagnóstico e não substitui avaliação profissional. Cada criança tem o seu ritmo — quem responde se há algo a acompanhar é a avaliação, não a internet.

Na prática

O que trabalhamos

Integração sensorial

Ajudamos a criança a organizar melhor o que chega pelos sentidos, do som ao toque, e a encontrar estratégias que a ajudem a se acalmar e a voltar ao que estava fazendo. Isso vale tanto para quem se incomoda demais quanto para quem vive buscando estímulo forte.

Atividades de vida diária

Vestir, calçar, comer com utensílios, escovar os dentes, tomar banho e usar o banheiro entram como objetivos de treino, decompostos em passos. A intenção é reduzir a dependência do adulto no que for possível para aquela criança.

Rotina de sono

Trabalhamos o ritual que antecede o sono, o ambiente do quarto e as pistas sensoriais que ajudam o corpo a desacelerar. Quando o sono aparece entre as queixas da família, costuma entrar entre os primeiros objetivos, porque a noite e o comportamento ao longo do dia caminham juntos.

Coordenação motora fina

Treinamos o jeito de segurar o lápis (a preensão), o uso de tesoura, encaixes, botão, zíper, laço e o controle da força das mãos, que é dosar o aperto conforme a tarefa pede. O foco está no gesto e na resistência para sustentar a atividade, não na alfabetização em si.

Brincar e repertório lúdico

Ampliamos o jeito de brincar: explorar material novo, imitar, criar situações de faz de conta, esperar a vez e aceitar que a regra mude. Brincar é objetivo em si mesmo, não apenas ferramenta de trabalho.

Adaptação de casa e escola

Sugerimos ajustes concretos no ambiente, como organização dos materiais, lugar na sala, mobiliário, pausas de movimento e recursos para o momento da refeição. Um quadro de rotina com imagens, por exemplo, reduz a necessidade de repetir comandos e deixa claro para a criança o que vem depois.

Passo a passo

Como funciona o acompanhamento na clínica

Primeiro contato

Você fala com a nossa recepção e conta o que tem observado em casa e o que a escola vem relatando. A partir disso, agendamos a avaliação em Terapia Ocupacional, por convênio ou particular, de segunda a sexta.

Avaliação inicial

A terapeuta ocupacional conversa com a família sobre a rotina completa, do despertar ao sono, e observa a criança em atividade livre e em tarefas propostas. Entram nessa leitura o modo como ela responde aos estímulos, como usa as mãos, como planeja uma sequência de passos e como brinca. Relatórios médicos, laudos e observações da escola ajudam e podem ser trazidos nesse dia.

Plano terapêutico individual

Com a avaliação em mãos, definimos junto à família objetivos escritos e priorizados, sempre ligados a atividades concretas, como dormir no próprio quarto, escovar os dentes sem briga ou segurar o lápis com menos esforço. O plano é individual e fica registrado no prontuário eletrônico que toda a equipe compartilha.

Sessões, casa e escola

Os atendimentos acontecem em sala preparada, com materiais e desafios escolhidos para cada objetivo do plano. Em paralelo, a família recebe orientações aplicáveis na rotina de casa e a escola pode receber relatório de evolução com sugestões práticas de adaptação. Sem essa continuidade fora da sala, o ganho tende a ficar restrito ao horário do atendimento.

Com que frequência?Não trabalhamos com um número padrão de sessões. A frequência e a duração do acompanhamento saem da avaliação inicial e levam em conta os objetivos priorizados, a idade e o momento da criança, o quanto a rotina de casa e da escola consegue sustentar o trabalho e as outras áreas em que ela já é atendida. Isso é revisto com a família ao longo do processo, sempre que os objetivos mudam.
Quem atende

Profissionais desta área

CS

Cintia Mendes dos Santos

Terapia Ocupacional

PS

Patricia Andrea Ramos dos Santos

Terapia Ocupacional · Psicopedagogia · CREFITO-17 26855-TO

Dúvidas frequentes

Sobre terapia ocupacional, as famílias perguntam

Qual a diferença entre Terapia Ocupacional, Psicomotricidade e Fisioterapia?

As três olham para o corpo, com recortes diferentes. A Fisioterapia se ocupa do movimento amplo, da força e da postura; a Psicomotricidade trabalha a relação da criança com o próprio corpo e com o espaço, pelo movimento; a Terapia Ocupacional parte da atividade do dia a dia e da resposta sensorial que sustenta essa atividade. A avaliação define qual delas responde ao que você está observando, e a indicação pode ser de uma ou de mais de uma área.

A sessão parece só brincadeira. É terapia mesmo?

É terapia. O material escolhido, a ordem das propostas, o grau de dificuldade e o tempo de cada desafio saem do plano daquela criança, não do que sairia por acaso numa tarde de brinquedos. Ao fim de cada atendimento, a terapeuta registra no prontuário eletrônico o que foi proposto, como a criança respondeu, quanto de ajuda precisou e o que conseguiu sustentar sozinha. É esse registro, lido ao longo das semanas, que mostra se o objetivo está avançando ou se precisa ser mudado.

Vocês conversam com a escola do meu filho?

Sim, com autorização da família. Emitimos relatório de evolução dirigido à escola, com sugestões práticas de adaptação, como lugar na sala, organização do material, pausas de movimento e ajustes no recreio e na hora da refeição. A ideia é que a criança consiga na escola aquilo que já começa a conseguir na sala de terapia.

Em quanto tempo vou ver resultado?

Não é possível prever prazo, e qualquer número apresentado como garantia seria invenção. O que acompanhamos são os objetivos escritos no plano terapêutico e o registro de cada sessão, que mostram o que mudou e o que segue difícil, e isso é revisto com a família periodicamente. O autismo não se cura: o que se faz é acompanhar e desenvolver habilidades. Nos atrasos de desenvolvimento, o percurso varia de criança para criança, e é a avaliação que orienta cada caso.

Vamos avaliar a sua criança?

Conte para a gente o que você tem observado em casa e na escola. A primeira conversa é de acolhimento, sem pressa e sem julgamento.

Atividade de coordenação motora fina com pinça e pompons coloridos