Se você chegou até aqui depois de uma consulta em que ouviu falar de ABA pela primeira vez, vale começar pelo nome: ABA é a sigla de análise do comportamento aplicada, e nada por aqui começa pela criança, mas por uma conversa com os responsáveis. Na Espectro Kids, a Psicologia acompanha a criança em duas frentes que se somam: o cuidado com o que ela sente e o ensino, passo a passo, das habilidades que ainda não estão ao alcance dela. O ponto de partida é sempre a criança que está na nossa frente, não um roteiro pronto.
Nesta clínica, a Psicologia infantil se ocupa tanto do que a criança faz quanto do que ela sente. Boa parte do atendimento acontece pelo brincar, porque é brincando que ela mostra o que ainda não consegue colocar em palavras. O psicólogo observa como a criança reage à espera, à frustração, à mudança de rotina e à presença de outras crianças. Dessa leitura saem os objetivos de trabalho, construídos junto com a família e não sobre ela.
A análise do comportamento aplicada estuda a relação entre o comportamento e o ambiente em que ele acontece. Em linguagem simples: antes de tentar mudar uma reação da criança, investigamos o que costuma acontecer imediatamente antes dela e o que a criança consegue obter depois. Esse trabalho de investigação se chama análise funcional, e é ele que explica, por exemplo, por que o mesmo grito aparece todo dia no mesmo horário. Com essa informação em mãos, a habilidade que está faltando é ensinada em pequenos passos, com bastante apoio no início e retirada gradual desse apoio.
Uma palavra sobre o alcance desse trabalho. O que se amplia aqui é o repertório da criança, isto é, as formas que ela tem de pedir, de se organizar, de reclamar e de participar do que acontece ao seu redor. O autismo não se cura, e não é isso que buscamos: o que se faz é acompanhar o desenvolvimento, com objetivos revistos conforme a criança cresce e conforme as exigências da vida dela mudam. Ela continua sendo quem é, com mais recursos à disposição.