Aracaju/SE

Psicopedagogia

Avaliação e acompanhamento das dificuldades de leitura, escrita, matemática, atenção e organização escolar.

Criança concentrada na leitura de um livro

Quando a criança entende o que se fala, mas não avança na leitura, trava na hora de escrever ou chora antes da lição de casa, a dúvida costuma ser a mesma: é falta de esforço, é a escola, ou é algo que ela ainda não aprendeu a fazer? A psicopedagogia existe para responder a esse tipo de pergunta com investigação, e não com palpite. Na Espectro Kids, esse trabalho olha como a criança aprende, o que atrapalha esse processo e o que pode ser ajustado em sala de aula e em casa para apoiar o percurso dela.

O que é a psicopedagogia

A psicopedagogia se ocupa de uma pergunta específica: como esta criança aprende. Ela não repõe a matéria da prova nem corrige o dever atrasado; investiga o caminho que a criança percorre para ler uma palavra, registrar uma ideia no papel ou entender uma quantidade, e identifica em que ponto desse caminho ela fica travada. Aprender a ler, escrever e calcular depende de habilidades que se apoiam umas nas outras, como perceber os sons que formam as palavras, guardar uma informação na memória enquanto se usa outra e manter o esforço até concluir uma tarefa. Quando uma dessas peças não está firme, o esforço da criança aumenta e o resultado continua abaixo do que ela seria capaz de alcançar.

O trabalho começa por uma avaliação psicopedagógica, que é um conjunto de encontros em que a criança lê, escreve, calcula, joga e resolve situações enquanto a profissional observa não só o acerto, mas o modo como ela chegou até ali. A isso somam-se a história contada pela família, os cadernos e as avaliações da escola e, com autorização dos responsáveis, a conversa com professores e coordenação. Desse conjunto nasce uma leitura de como a criança aprende hoje, com hipóteses sobre o que está pesando e sobre o que já funciona bem. Esse material orienta a intervenção e também embasa encaminhamentos a outras áreas, quando a avaliação aponta essa necessidade.

Na intervenção, a criança aprende a aprender: recebe estratégias concretas para reconhecer as palavras escritas, organizar um texto, conferir um cálculo, planejar a lição e pedir ajuda quando trava. O material usado se aproxima do que ela enfrenta na escola, porque o ganho precisa aparecer na sala de aula e não apenas na sessão. Na Espectro Kids, a psicopedagogia caminha ao lado das outras áreas da equipe, que registram no mesmo prontuário eletrônico. Assim, o que a fonoaudiologia observa na linguagem e o que a terapia ocupacional observa na organização do corpo e do material entram no planejamento da aprendizagem.

Sinais de atenção

Quando procurar a psicopedagogia

Os itens abaixo não formam diagnóstico e não servem para classificar sua filha ou seu filho. São situações que merecem uma avaliação cuidadosa, e só a avaliação, feita com a criança, com a família e com a escola, pode dizer o que está por trás delas.

  • Está no fim do ano escolar e ainda troca ou esquece letras ao ler palavras simples.
  • Lê o texto inteiro em voz alta, mas não consegue contar depois o que entendeu.
  • Escreve pouco, com letra difícil de ler, e foge de qualquer atividade que exija escrever.
  • Conta nos dedos operações que a turma já resolve de cabeça, ou não entende o enunciado.
  • Esquece a tarefa, perde material toda semana e começa várias atividades sem terminar nenhuma.
  • Só inicia e mantém a lição com um adulto sentado ao lado o tempo todo.
  • Passou a dizer que é incapaz, chora antes da lição ou sente dor de barriga em dia de prova.
  • A escola relata que não acompanha o ritmo da turma, embora se comunique bem falando.

Esta lista não é um diagnóstico e não substitui avaliação profissional. Cada criança tem o seu ritmo — quem responde se há algo a acompanhar é a avaliação, não a internet.

Na prática

O que trabalhamos

Leitura: decodificar e compreender

Decodificar é transformar as letras em sons e reconhecer a palavra escrita; compreender é entender o que aquele texto diz, e as duas coisas podem falhar separadamente. Trabalhamos a consciência fonológica, que é perceber e manipular os sons que formam as palavras, além da fluência e da compreensão do que foi lido.

Escrita e produção de texto

Da formação das letras e da ortografia até a organização das ideias em parágrafos, o planejamento do texto e a revisão do que escreveu. Cuidamos também da resistência de quem já aprendeu a associar escrever a errar.

Raciocínio matemático

Noção de quantidade, relação entre número e símbolo, estratégias de cálculo e interpretação de enunciados. Boa parte das dificuldades em matemática começa na leitura do problema, e não na conta em si.

Atenção e funções executivas

Funções executivas são as habilidades de planejar, começar, manter e concluir uma tarefa, guardar instruções e trocar de estratégia quando a primeira não deu certo. Esse eixo usa apoios visuais, divisão de tarefas em passos e rotinas previsíveis.

Organização e autonomia no estudo

Uso da agenda, cuidado com o material, tempo e lugar de estudar, e o passo a passo para que a criança faça sozinha aquilo que hoje só acontece com um adulto ao lado.

Ponte com a escola

Orientação a professores e coordenação sobre adaptações possíveis na rotina, nas atividades e nas avaliações. Quando a escola mantém um plano educacional individualizado, documento em que ela registra objetivos e adaptações para aquele aluno, contribuímos com o que a avaliação mostrou; esse plano é da escola e não se confunde com o plano terapêutico feito na clínica.

Passo a passo

Como funciona o atendimento

Primeiro contato e escuta do responsável

O atendimento começa com o agendamento e uma conversa com quem convive com a criança todos os dias. Pedimos o que já existe em mãos, como cadernos, boletins, avaliações da escola e relatórios de outros profissionais, e esclarecemos se o acompanhamento será por convênio ou particular antes de começar.

Avaliação psicopedagógica

A avaliação acontece em encontros com propostas em níveis diferentes de dificuldade, e a quantidade deles varia conforme o que precisa ser investigado. Mais do que o acerto, registramos o que a criança faz quando erra, quanto tempo sustenta a atividade, quais estratégias usa e quais já abandonou. Nada disso vale nota, e dizemos isso a ela para que não entre na sala achando que está sendo testada.

Devolutiva e plano terapêutico individual

A família recebe a devolutiva em linguagem clara, com o que foi observado, o que já é ponto forte e o que será priorizado. Desse encontro sai o plano terapêutico individual da criança, com objetivos definidos para o período e orientações práticas para casa e para a escola.

Acompanhamento, relatórios e ponte com a escola

As sessões seguem com revisão periódica dos objetivos, porque o foco que faz sentido no começo do ano pode não ser o mesmo no segundo semestre. Família e escola recebem relatórios de evolução, escritos de um jeito que dispensa formação na área. A psicopedagogia também se articula com as outras áreas que acompanham a criança, para que as orientações não cheguem à família em direções opostas.

Com que frequência?A frequência e a duração do acompanhamento não saem de uma tabela: saem da avaliação e do plano terapêutico individual, considerando o que está mais comprometido, a fase escolar da criança, a rotina da família e as outras terapias que ela já faz. Há crianças que começam com sessões mais frequentes e, depois, passam a encontros mais espaçados; outras seguem com apoio pontual em momentos de transição, como a entrada no ensino fundamental. Cada revisão de objetivos é também uma revisão desse ritmo, sempre conversada com a família antes de qualquer mudança.
Quem atende

Profissionais desta área

PS

Patricia Andrea Ramos dos Santos

Terapia Ocupacional · Psicopedagogia · CREFITO-17 26855-TO

YR

Yvri Caroliny Rodrigues

Psicopedagogia

Dúvidas frequentes

Sobre psicopedagogia, as famílias perguntam

Psicopedagogia é a mesma coisa que reforço escolar?

Não. O reforço escolar retoma o conteúdo que a criança não aprendeu, repetindo a matéria com mais tempo e mais explicação. A psicopedagogia investiga por que aquele conteúdo não entra e trabalha as habilidades que sustentam o aprender, como o reconhecimento das palavras escritas, a organização das ideias e a memória de trabalho, que é guardar uma informação enquanto se usa outra. Os dois podem caminhar juntos, e às vezes a própria avaliação indica que o reforço passa a fazer sentido em outro momento.

A avaliação psicopedagógica fecha o diagnóstico de dislexia ou de TDAH?

Não. Diagnósticos desse tipo são definidos em avaliação médica ou neuropsicológica, em geral com a contribuição de mais de um profissional. O que a psicopedagogia entrega é uma descrição detalhada de como a criança aprende, com hipóteses e registros que ajudam nesse processo, além do encaminhamento quando a investigação precisa avançar. O trabalho com as dificuldades pode começar antes disso, porque não é preciso esperar um nome para intervir.

Vocês conversam com a escola do meu filho?

Sim, com a autorização dos responsáveis, porque boa parte da dificuldade aparece na sala de aula e não na sessão. Essa ponte pode ser uma conversa por telefone, uma reunião com a coordenação ou um documento escrito, conforme o que cada escola consegue receber. Quando a escola não responde aos contatos, avisamos a família, registramos as tentativas e entregamos as orientações por escrito ao responsável, que pode levá-las à coordenação. A escola não recebe ordens sobre o que fazer: recebe informação e orientação para tomar as decisões pedagógicas com mais clareza.

Meu filho tem 5 anos e ainda não lê. É cedo para procurar a psicopedagogia?

Buscar avaliação não significa antecipar rótulo. Antes da alfabetização, o trabalho se concentra nos pré-requisitos, como brincar com os sons das palavras, lidar com quantidades, sustentar atenção em uma atividade e ganhar autonomia na rotina. A avaliação é que vai dizer se o caso pede acompanhamento, orientação à família e à escola ou um período de observação, e essa definição é apresentada no encontro de devolutiva.

Vamos avaliar a sua criança?

Conte para a gente o que você tem observado em casa e na escola. A primeira conversa é de acolhimento, sem pressa e sem julgamento.

Criança concentrada na leitura de um livro