Investigação do neurodesenvolvimento
História clínica reconstruída desde a gestação, avaliação dos marcos já alcançados e exame neurológico, para entender o que sustenta as dificuldades atuais.
Avaliação e acompanhamento médico do neurodesenvolvimento, em diálogo com a equipe que atende a criança.

Se você saiu de uma consulta com mais dúvidas do que respostas, ou recebeu um encaminhamento pedindo avaliação neurológica sem entender exatamente o que será investigado, esta página foi escrita para você. Na Espectro Kids, o acompanhamento médico não é um carimbo no fim do caminho: ele entra no plano terapêutico da criança e conversa com as demais áreas que a atendem. Abaixo explicamos o que o médico investiga, como a consulta acontece e em que situações a medicação é considerada.
Neurologia infantil e psiquiatria da infância e da adolescência são especialidades médicas que olham para o mesmo desenvolvimento por caminhos diferentes. A neurologia se ocupa do funcionamento do sistema nervoso, isto é, cérebro, medula e nervos, incluindo o modo como os nervos comandam os músculos. Nela entram questões como crises epilépticas, atraso nos marcos motores, que são conquistas como sentar, engatinhar e andar, dores de cabeça, alterações do sono e perda de habilidades que a criança já tinha. A psiquiatria infantil se debruça sobre comportamento, humor, ansiedade, atenção e regulação emocional, avaliando o quanto isso atrapalha a vida da criança em casa, na escola e nas terapias. Os dois campos se cruzam com frequência no acompanhamento de crianças com TEA, sigla de transtorno do espectro autista, com TGD, transtorno global do desenvolvimento, nome mais antigo que ainda aparece em laudos, e com atrasos no desenvolvimento, porque sono, comportamento e aprendizagem raramente andam separados.
Na prática, o papel do médico aqui é organizar a investigação. Isso envolve reconstruir a história da criança desde a gestação, examinar, levantar hipóteses, pedir exames quando existe indicação clínica e afastar causas que exigiriam outra conduta. Parte desse trabalho é identificar condições que costumam caminhar junto com o autismo e com os atrasos de desenvolvimento, como epilepsia, distúrbios do sono, TDAH, o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, ansiedade e dificuldades alimentares de origem médica. Outra parte é cuidar do que já foi iniciado em outros lugares, revendo diagnósticos antigos, ajustando o que não faz mais sentido e reavaliando medicações que ninguém revisou.
Vale dizer com clareza o que esse acompanhamento não é. Autismo não se cura, e nenhuma medicação transforma uma criança autista em uma criança não autista: o que existe é desenvolvimento, aprendizagem e alívio de sintomas que causam sofrimento. O médico também não substitui as terapias, e a consulta não é o lugar onde se decide sozinho o rumo do caso. As condutas são construídas com a família e com os profissionais que veem a criança toda semana.
Nada do que está listado abaixo é diagnóstico, nem indica por si só que a criança tem alguma condição específica. São situações do dia a dia que merecem ser levadas a uma consulta, porque somente a avaliação presencial, com história e exame, pode dizer o que está acontecendo.
Esta lista não é um diagnóstico e não substitui avaliação profissional. Cada criança tem o seu ritmo — quem responde se há algo a acompanhar é a avaliação, não a internet.
História clínica reconstruída desde a gestação, avaliação dos marcos já alcançados e exame neurológico, para entender o que sustenta as dificuldades atuais.
Diferenciação entre episódios de desatenção, movimentos repetitivos e possíveis crises, com solicitação de eletroencefalograma e tratamento quando a investigação confirma a epilepsia.
Avaliação de TDAH, ansiedade, tiques, irritabilidade e deficiência intelectual que podem acompanhar o quadro principal, já que cada uma pede uma conduta diferente.
Investigação médica das causas do sono ruim, incluindo rotina noturna, dor, refluxo, dificuldade respiratória e efeito de medicações já em uso.
Quando indicada, a medicação tem alvo definido, começa na menor dose útil e é revista de perto. Ela caminha junto com as terapias e nunca ocupa o lugar delas.
Emissão dos documentos que a família precisa apresentar na escola, no plano de saúde e em solicitações que exigem parecer médico, escritos de forma compreensível.
A família entra em contato com a clínica e a recepção verifica a agenda médica, por convênio ou particular. Nesse momento orientamos o que separar e levar, e a lista completa também está nas perguntas frequentes desta página. O atendimento funciona de segunda a sexta.
O encontro começa pela escuta dos responsáveis, passando por gestação, parto, primeiros anos, marcos do desenvolvimento, sono, alimentação, rotina, escola e queixas atuais. Depois vêm o exame físico e neurológico e a observação da criança, no ritmo que ela permitir. Nem toda avaliação se fecha em uma única consulta, e isso não é atraso: é o cuidado de não apressar uma conclusão.
Ao final, o médico explica em linguagem simples o que encontrou, o que continua em aberto e quais são os próximos passos. Exames são solicitados quando existe uma pergunta clínica que eles ajudam a responder, como o eletroencefalograma, exame que registra a atividade elétrica do cérebro e é pedido quando há suspeita de crises. O que for definido entra no mesmo plano terapêutico das outras áreas e fica registrado no prontuário eletrônico que a equipe compartilha.
Nos retornos, comparamos o que mudou desde a última consulta usando o relato da família, as observações da escola e os registros das terapias no prontuário. Havendo medicação em curso, o acompanhamento olha para a resposta obtida, os efeitos indesejados, o sono, o apetite, o peso e a altura, com ajustes feitos aos poucos. Quando algo novo aparece no meio do caminho, a reavaliação é antecipada.
Neurologia · CRM 1451-SE · RQE 1628
Medicina · CRM/SE 7494 · Pós-graduação em Psiquiatria (não especialista)
Essa definição não precisa partir de você. Na maior parte das vezes o encaminhamento vem do pediatra, da escola ou de um dos terapeutas que já acompanham a criança, e, quando a dúvida permanece, a própria avaliação inicial na clínica indica por onde começar. O que orienta a escolha é a queixa que mais pesa na rotina agora, não o rótulo que alguém já usou em algum documento. Como os dois campos se cruzam, é comum que a criança precise de uma avaliação, da outra ou das duas em momentos diferentes, sempre com a decisão explicada à família.
Pode acontecer, mas não é regra, e não é isso que garante um bom acompanhamento. Alguns quadros exigem mais de um encontro, informações da escola, avaliação de outras áreas e, em certos casos, exames. Preferimos levar o tempo necessário a entregar um rótulo apressado que depois precisa ser desfeito.
Não. Não existe medicação para o autismo em si, e muitas crianças são acompanhadas sem nenhuma prescrição. Quando a medicação entra, ela tem alvo específico, como crises epilépticas, sono muito desorganizado, ansiedade intensa ou agressividade que expõe a criança a risco. A decisão é tomada junto com a família, e explicamos os motivos, o que se espera observar e o que será monitorado nos retornos.
Leve relatórios dos profissionais que já atenderam a criança, exames anteriores, receitas e embalagens das medicações em uso, além da caderneta da criança. Suas anotações ajudam muito: como anda o sono, o que a criança aceita comer, o que a escola tem relatado e como os dias difíceis costumam começar. Se você tiver vídeos curtos dos episódios que preocupam, leve no celular, porque eles fazem diferença na avaliação.
Conte para a gente o que você tem observado em casa e na escola. A primeira conversa é de acolhimento, sem pressa e sem julgamento.
